Perguntas-me como sei que é amor… não sei. Mas desconfio. Sabes quando a
outra pessoa está lá para ti, sempre. Não precisa de concordar contigo, mas
ouve-te, aceita-te como és. Conforta-te, faz-te rir com um disparate qualquer
para desviar a tua atenção de algo menos bom. Dá-te aquele abraço demorado de
onde não queres sair porque te sentes seguro. Respeita o teu silêncio sem te
virar as costas porque gosta da tua companhia e se preocupa verdadeiramente contigo.
Não te deixa só, jamais! Mesmo que esteja distante, sabe demonstrar que está
presente. Mostra-te a verdade quando tens dificuldade em reconhecê-la. É amor
quando te entregas sem reservas e sentes o mesmo com a outra pessoa. Sentes uma
confiança, uma segurança que te tranquiliza como se a pessoa estivesse em ti e
tu nela. É algo mágico e maravilhoso. E quando conheceres de cor as rugas de
expressão da outra pessoa e imaginares sem qualquer pudor os dois a envelhecerem juntos com tudo o que isso implica… não deverá ser isto o amor? Junta
afinidades, gostos comuns e muitos motivos para sorrir, o resto virá por si.
Um dia, estava eu numa igreja a assistir a uma comemoração solene quando o indivíduo que estava do meu lado esquerdo segredou-me por cima do ombro: "Isto para mim não é nada, a minha catedral é a Natureza, é lá que me sinto bem!". Tudo converge, cada vez mais. Gosto muito de pessoas, de as ouvir, de tentar entendê-las estudando-as, dos sentimentos, dos risos, do toque... Mas à medida que o tempo decorre trazendo maturidade, à medida que envelheço, as pessoas ficam cada vez mais complicadas num crescendo assustador que abala a minha saude mental e põe em causa a minha paz interior. Numa altura em que procuro despreocupação, o cerco aperta trazendo novas equações nunca antes abordadas. E pergunto-me se não terei direito a simplesmente recusar resolvê-las. Já dei provas da minha valentia, da minha capacidade para enfrentar ventos e tempestades, não quero mais o desgaste das batalhas. O tempo que me resta tem de ser gasto em amor apenas. Abraçar, sorrir, amar... E fujo. Corro pa...

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