Perguntas-me como sei que é amor… não sei. Mas desconfio. Sabes quando a
outra pessoa está lá para ti, sempre. Não precisa de concordar contigo, mas
ouve-te, aceita-te como és. Conforta-te, faz-te rir com um disparate qualquer
para desviar a tua atenção de algo menos bom. Dá-te aquele abraço demorado de
onde não queres sair porque te sentes seguro. Respeita o teu silêncio sem te
virar as costas porque gosta da tua companhia e se preocupa verdadeiramente contigo.
Não te deixa só, jamais! Mesmo que esteja distante, sabe demonstrar que está
presente. Mostra-te a verdade quando tens dificuldade em reconhecê-la. É amor
quando te entregas sem reservas e sentes o mesmo com a outra pessoa. Sentes uma
confiança, uma segurança que te tranquiliza como se a pessoa estivesse em ti e
tu nela. É algo mágico e maravilhoso. E quando conheceres de cor as rugas de
expressão da outra pessoa e imaginares sem qualquer pudor os dois a envelhecerem juntos com tudo o que isso implica… não deverá ser isto o amor? Junta
afinidades, gostos comuns e muitos motivos para sorrir, o resto virá por si.
Continuo à procura. Nem sei de quê. O que quer que seja, não encontro. Talvez não exista simplesmente. Às vezes complica-se o que é simples. Basta estar aqui assim, a ouvir música pelo youtube enquanto vou escrevendo qualquer coisa e já me sinto bem. E é isso que interessa, que nos sintamos bem connosco. Há quem ache que vivo uma vida sem sentido só porque não quero saber das horas do relógio, esse tempo criado pelo Homem. O que me interessa se são três da tarde e ainda não almocei ? o que é verdadeiramente importante vai-se fazendo sem tempo marcado. Interessa é sentir a felicidade a correr nas veias. O resto, é uma cabeça sempre a fabricar ideias tão rapidamente que nem dá tempo de pegar numa caneta e apontá-las num pedaço de papel. Por isso, sentir é a prioridade. Seja música, um sorriso, uma mensagem, um pensamento, um toque, tudo tem de ser sentido para ter valor.

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