Aos poucos estou a conhecer um coração sem rosto. Apenas vou construindo a
sua vivência pelo que me conta, pelo que sente, pelas reações ao que digo,
pelas respostas às questões que faço. Há uma mágoa tão grande naquele coração
que qualquer manifestação de carinho lhe confere uma felicidade imensa ! E eu,
sinto em mim uma fonte inesgotável de dedicação a este coração remendado, cujas
asas me parecem tão presas… Espero conseguir ajudar a abrir essas asas na sua
amplitude máxima. Serei capaz ?
Um dia, estava eu numa igreja a assistir a uma comemoração solene quando o indivíduo que estava do meu lado esquerdo segredou-me por cima do ombro: "Isto para mim não é nada, a minha catedral é a Natureza, é lá que me sinto bem!". Tudo converge, cada vez mais. Gosto muito de pessoas, de as ouvir, de tentar entendê-las estudando-as, dos sentimentos, dos risos, do toque... Mas à medida que o tempo decorre trazendo maturidade, à medida que envelheço, as pessoas ficam cada vez mais complicadas num crescendo assustador que abala a minha saude mental e põe em causa a minha paz interior. Numa altura em que procuro despreocupação, o cerco aperta trazendo novas equações nunca antes abordadas. E pergunto-me se não terei direito a simplesmente recusar resolvê-las. Já dei provas da minha valentia, da minha capacidade para enfrentar ventos e tempestades, não quero mais o desgaste das batalhas. O tempo que me resta tem de ser gasto em amor apenas. Abraçar, sorrir, amar... E fujo. Corro pa...
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