Continuo à procura. Nem sei de quê. O que quer que seja, não encontro. Talvez não exista simplesmente. Às vezes complica-se o que é simples. Basta estar aqui assim, a ouvir música pelo youtube enquanto vou escrevendo qualquer coisa e já me sinto bem. E é isso que interessa, que nos sintamos bem connosco. Há quem ache que vivo uma vida sem sentido só porque não quero saber das horas do relógio, esse tempo criado pelo Homem. O que me interessa se são três da tarde e ainda não almocei ? o que é verdadeiramente importante vai-se fazendo sem tempo marcado. Interessa é sentir a felicidade a correr nas veias. O resto, é uma cabeça sempre a fabricar ideias tão rapidamente que nem dá tempo de pegar numa caneta e apontá-las num pedaço de papel. Por isso, sentir é a prioridade. Seja música, um sorriso, uma mensagem, um pensamento, um toque, tudo tem de ser sentido para ter valor.
Um dia, estava eu numa igreja a assistir a uma comemoração solene quando o indivíduo que estava do meu lado esquerdo segredou-me por cima do ombro: "Isto para mim não é nada, a minha catedral é a Natureza, é lá que me sinto bem!". Tudo converge, cada vez mais. Gosto muito de pessoas, de as ouvir, de tentar entendê-las estudando-as, dos sentimentos, dos risos, do toque... Mas à medida que o tempo decorre trazendo maturidade, à medida que envelheço, as pessoas ficam cada vez mais complicadas num crescendo assustador que abala a minha saude mental e põe em causa a minha paz interior. Numa altura em que procuro despreocupação, o cerco aperta trazendo novas equações nunca antes abordadas. E pergunto-me se não terei direito a simplesmente recusar resolvê-las. Já dei provas da minha valentia, da minha capacidade para enfrentar ventos e tempestades, não quero mais o desgaste das batalhas. O tempo que me resta tem de ser gasto em amor apenas. Abraçar, sorrir, amar... E fujo. Corro pa...

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