Já não sou a mesma. Não posso ser. Como poderia ser ? Tenho o coração remendado de tanto amar. E de tanto (a)mar dentro de mim, os olhos transbordam como ondas que rebentam na areia durante a maré cheia. Cada onda que vai e vem, leva e trás memórias que um dia vivi. Não vivo amor sem mar, nem sei amar sem entrega. Em cada onda entrei devagar para logo mergulhar. Numas nadei mais que noutras. Gosto das altas, que vêm em espuma, borbulhantes e revitalizantes, que massajam o corpo à sua passagem, desafiando-nos a ficar de pé ou nos convencem a literalmente ir na onda! Ondas com vida que me enriquecem com o seu sabor e energia contribuindo para me sentir livre ! Há que observar as ondas, o movimento que a água leva para que não haja afogamentos. Há mar e mar, há ir e voltar !
Continuo à procura. Nem sei de quê. O que quer que seja, não encontro. Talvez não exista simplesmente. Às vezes complica-se o que é simples. Basta estar aqui assim, a ouvir música pelo youtube enquanto vou escrevendo qualquer coisa e já me sinto bem. E é isso que interessa, que nos sintamos bem connosco. Há quem ache que vivo uma vida sem sentido só porque não quero saber das horas do relógio, esse tempo criado pelo Homem. O que me interessa se são três da tarde e ainda não almocei ? o que é verdadeiramente importante vai-se fazendo sem tempo marcado. Interessa é sentir a felicidade a correr nas veias. O resto, é uma cabeça sempre a fabricar ideias tão rapidamente que nem dá tempo de pegar numa caneta e apontá-las num pedaço de papel. Por isso, sentir é a prioridade. Seja música, um sorriso, uma mensagem, um pensamento, um toque, tudo tem de ser sentido para ter valor.

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