Já não sou a mesma. Não posso ser. Como poderia ser ? Tenho o coração remendado de tanto amar. E de tanto (a)mar dentro de mim, os olhos transbordam como ondas que rebentam na areia durante a maré cheia. Cada onda que vai e vem, leva e trás memórias que um dia vivi. Não vivo amor sem mar, nem sei amar sem entrega. Em cada onda entrei devagar para logo mergulhar. Numas nadei mais que noutras. Gosto das altas, que vêm em espuma, borbulhantes e revitalizantes, que massajam o corpo à sua passagem, desafiando-nos a ficar de pé ou nos convencem a literalmente ir na onda! Ondas com vida que me enriquecem com o seu sabor e energia contribuindo para me sentir livre ! Há que observar as ondas, o movimento que a água leva para que não haja afogamentos. Há mar e mar, há ir e voltar !
Um dia, estava eu numa igreja a assistir a uma comemoração solene quando o indivíduo que estava do meu lado esquerdo segredou-me por cima do ombro: "Isto para mim não é nada, a minha catedral é a Natureza, é lá que me sinto bem!". Tudo converge, cada vez mais. Gosto muito de pessoas, de as ouvir, de tentar entendê-las estudando-as, dos sentimentos, dos risos, do toque... Mas à medida que o tempo decorre trazendo maturidade, à medida que envelheço, as pessoas ficam cada vez mais complicadas num crescendo assustador que abala a minha saude mental e põe em causa a minha paz interior. Numa altura em que procuro despreocupação, o cerco aperta trazendo novas equações nunca antes abordadas. E pergunto-me se não terei direito a simplesmente recusar resolvê-las. Já dei provas da minha valentia, da minha capacidade para enfrentar ventos e tempestades, não quero mais o desgaste das batalhas. O tempo que me resta tem de ser gasto em amor apenas. Abraçar, sorrir, amar... E fujo. Corro pa...

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