Começo a ter certezas. Há uma tranquilidade em mim como nunca houve. Como um dia de sol depois de tempestade que até o mar acalma e fica translúcido. Como um fechar de olhos numa morte sem dor. Saber o caminho a seguir no cruzamento, sem sequer escolher. É O caminho. Lançar as sementes à terra na lua nova para colher na lua cheia. O amor foi lançado ao peito no inverno da vida e a felicidade já cresce no coração. As flores são os sorrisos e os frutos ... hao de vir.
Um dia, estava eu numa igreja a assistir a uma comemoração solene quando o indivíduo que estava do meu lado esquerdo segredou-me por cima do ombro: "Isto para mim não é nada, a minha catedral é a Natureza, é lá que me sinto bem!". Tudo converge, cada vez mais. Gosto muito de pessoas, de as ouvir, de tentar entendê-las estudando-as, dos sentimentos, dos risos, do toque... Mas à medida que o tempo decorre trazendo maturidade, à medida que envelheço, as pessoas ficam cada vez mais complicadas num crescendo assustador que abala a minha saude mental e põe em causa a minha paz interior. Numa altura em que procuro despreocupação, o cerco aperta trazendo novas equações nunca antes abordadas. E pergunto-me se não terei direito a simplesmente recusar resolvê-las. Já dei provas da minha valentia, da minha capacidade para enfrentar ventos e tempestades, não quero mais o desgaste das batalhas. O tempo que me resta tem de ser gasto em amor apenas. Abraçar, sorrir, amar... E fujo. Corro pa...

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