Domingo, dia da Mãe em Portugal. Mais um dia para ser feliz com os meus rebentos. Mais um dia a ser mãe na plenitude da palavra, como sempre fui, todos os dias desde o primeiro segundo em que concebi uma vida dentro de mim. Saber o que dizem sem que saibam falar. Saber o que precisam no momento em que o necessitam. Saber senti-los. Dar amor sem esperar receber. Sofrer por cada tristeza que sentem. Passar noites de pé a embalar o nascer de um dente... Incentivar a dar os primeiros passos e desejar que nunca vão demasiado longe porque os queremos por perto. Limpar-lhes as lágrimas cada vez que o mundo os trata mal. As primeiras palavras, as primeiras leituras, a primeira saída com a escola - que desespero ! Os primeiros amores e as decepções que daí advêm (como se explica que ainda estão a começar e que isso vai ser uma constante ??) Ser mãe é o melhor papel que tenho na vida e aquele que mais me importa honrar. Todos os dias temos momentos únicos e bem aproveitados. Todos os dias rimos em conjunto, conversamos e ouvimos-nos atentamente participando activamente na vida uns dos outros, opinando, aconselhando porque nos importamos verdadeiramente, porque nos amamos. E fazemos de um passeio de bicicleta o ponto alto do dia. Ou rimo-nos de um copo partido na distracção de tanta gargalhada à mesa. E assim nos aceitamos, nos compreendemos e partilhamos as nossas personalidades tão diferentes mas tão unidas porque sempre houve um fio condutor, um pilar, um ponto de união, uma Mãe.
Continuo à procura. Nem sei de quê. O que quer que seja, não encontro. Talvez não exista simplesmente. Às vezes complica-se o que é simples. Basta estar aqui assim, a ouvir música pelo youtube enquanto vou escrevendo qualquer coisa e já me sinto bem. E é isso que interessa, que nos sintamos bem connosco. Há quem ache que vivo uma vida sem sentido só porque não quero saber das horas do relógio, esse tempo criado pelo Homem. O que me interessa se são três da tarde e ainda não almocei ? o que é verdadeiramente importante vai-se fazendo sem tempo marcado. Interessa é sentir a felicidade a correr nas veias. O resto, é uma cabeça sempre a fabricar ideias tão rapidamente que nem dá tempo de pegar numa caneta e apontá-las num pedaço de papel. Por isso, sentir é a prioridade. Seja música, um sorriso, uma mensagem, um pensamento, um toque, tudo tem de ser sentido para ter valor.

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